As negociações para um novo acordo de delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro foram retomadas na semana passada, com reuniões entre seus advogados, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e delegados da Polícia Federal. Ainda não há definição sobre os termos que poderão ser oferecidos em uma eventual colaboração.
A proposta anterior, rejeitada em 20 de maio, foi considerada insuficiente pelos investigadores. Segundo a coluna de Malu Gaspar, o documento omitia fatos já conhecidos pelas autoridades e deixava de citar pessoas que, na avaliação dos investigadores, deveriam ser mencionadas. A principal crítica foi a recusa de Vorcaro em admitir participação nos crimes investigados.
Um dos pontos mais questionados envolveu o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Os anexos da proposta não mencionavam supostos pagamentos mensais de R$ 500 mil, despesas com viagens e jantares na Europa, nem a chamada “emenda Master”, que previa ampliar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito. Investigadores chegaram a apelidar o trecho referente ao senador de “a beatificação de Ciro”.
Outro ponto apontado foi a falta de detalhes sobre a influência do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, em investimentos do Rioprevidência em papéis do Banco Master. Para os investigadores, a omissão indicava uma tentativa de reduzir a própria exposição.
Nas novas conversas, a principal exigência é que Vorcaro abandone a postura defensiva e reconheça eventual participação nos crimes investigados. Segundo um integrante da apuração, uma delação premiada exige confissão e colaboração efetiva, não podendo ser usada apenas como estratégia de defesa.
As negociações também envolvem a relação da defesa com o ministro do STF André Mendonça, relator do caso. Após a rejeição da proposta anterior, Mendonça deixou de receber os advogados do banqueiro, mas autorizou posteriormente o retorno de Vorcaro à sala de Estado-Maior da PF em Brasília.
A medida foi interpretada como um sinal de reabertura do diálogo. Agora, a defesa trabalha para convencer o banqueiro a adotar uma postura mais colaborativa e viabilizar um novo acordo com as autoridades.
Por: Jair Sampaio

Nenhum comentário:
Postar um comentário