sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Durante 40 anos, Chico viveu ao lado de Dona Lurdes, em Casa Amarela, no Recife. Entre o cheiro de café fresco e o rádio de pilha ligado, ele não era apenas um papagaio, era confidente, companhia e familia.

 Durante 40 anos, Chico viveu ao lado de Dona Lurdes, em Casa Amarela, no Recife. Entre o cheiro de café fresco e o rádio de pilha ligado, ele não era apenas um papagaio, era confidente, companhia e familia. Cantava o hino do Santa Cruz, assobiava frevos e preenchia o silêncio deixado pela viuvez.


Quando Dona Lurdes partiu aos 82 anos, parentes distantes invadiram a casa pensando apenas no valor do terreno. Para eles, Chico era um estorvo.


Foi colocado em uma caixa de papelão, lacrada e deixada no lixo, sob o sol quente da cidade. No escuro e com medo, ele repetia baixinho a frase que sempre ouvia quando estava assustado: “Mainha tá aqui…”.


O caminhão de lixo parou. Severino, o gari, ouviu um som diterente antes de prensar a caixa. Rasgou o papelão e encontrou Chico fraco, desidratado e em luto. Sem hesitar, levou-o para casa. Ele e a esposa cuidaram do papagaio com conta-gotas, banana e muito carinho.


Duas semanas depois, um assobio trouxe resposta: Chico voltou a cantar. Hoje, aos 41 anos, ele chama Severino de “Painho”.


Sua história nos lembra que nenhuma vida merece ser descartada e que o amor sempre pode começar de novo.



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