Dois ex-integrantes do alto escalão do INSS avançam em negociações de delação premiada no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura descontos ilegais em aposentadorias. As informações foram publicadas pelo portal Metrópoles.
Segundo a apuração, o ex-procurador do INSS Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho e o ex-diretor de Benefícios André Fidelis mencionaram o filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Fábio Luís Lula da Silva, e relataram a participação de agentes políticos no esquema investigado.
Entre os nomes citados está Flávia Péres, ex-Flávia Arruda, que chefiou a Secretaria de Relações Institucionais no governo Jair Bolsonaro. É a primeira vez que o nome dela surge vinculado ao caso. Flávia é casada com o economista Augusto Lima, ex-CEO do Banco Master e ex-sócio do empresário Daniel Vorcaro.
Virgílio e Fidelis estão presos desde 13 de novembro. A Polícia Federal atribui ao ex-procurador o recebimento de R$ 11,9 milhões provenientes de empresas ligadas a entidades que promoviam descontos associativos nas aposentadorias. Desse total, R$ 7,5 milhões teriam origem em empresas de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.
Os repasses, segundo os investigadores, foram direcionados a empresas e contas bancárias da médica Thaisa Hoffmann Jonasson, esposa de Virgílio. A PF também registrou aumento patrimonial de R$ 18,3 milhões em nome do ex-procurador.
De acordo com o relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), Fidelis foi o diretor que mais concedeu acordos de cooperação técnica na história da autarquia. Durante sua gestão, 14 entidades foram habilitadas, com descontos que somaram R$ 1,6 bilhão.
O empresário Antônio Carlos Camilo Antunes também prepara proposta de colaboração. A movimentação ocorreu após familiares dele se tornarem alvo da investigação, entre eles o filho Romeu Carvalho Antunes e a esposa Tânia Carvalho dos Santos. Eric Fidelis, filho do ex-diretor do INSS, também foi preso.

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