Em agosto de 2019, uma decisão do ministro Alexandre de Moraes paralisou investigações da Receita Federal ligadas a um procedimento interno que reuniu dados de 133 contribuintes. Entre os nomes alcançados pela apuração estavam integrantes do Supremo, incluindo a esposa de Dias Toffoli e o ministro Gilmar Mendes. No mesmo ato, Moraes determinou o afastamento de servidores da Receita envolvidos no caso, sob o argumento de ilegalidades na condução das apurações.
À época, a medida foi apresentada como resposta a supostas violações de sigilo. O episódio, porém, é usado como referência por críticos do tribunal para sustentar que, quando uma investigação se aproxima da cúpula do Judiciário, a reação tende a ser a interrupção do processo, e não o avanço do esclarecimento público.
Agora, o STF enfrenta uma nova crise em torno do Banco Master. Reportagens apontaram que a esposa de Moraes teria sido beneficiada por um contrato milionário ligado ao banco, em meio a disputas e questionamentos sobre a instituição. O caso ganhou peso com o relato de que o próprio Moraes teria se reunido com o comando do Banco Central durante o imbróglio, algo que o ministro nega, afirmando que tratou de outros temas.
Nesse contexto, Dias Toffoli volta ao centro. Relator de peças relacionadas ao caso no Supremo, ele manteve trechos sob sigilo e tomou decisões processuais que, para críticos, reduzem a transparência e reforçam a leitura de blindagem. O desgaste transbordou para o Congresso, com articulações por responsabilização e a promessa de reação mesmo durante o recesso.
O paralelo com 2019 se impõe: Moraes travou uma apuração que atingia a esposa de Toffoli e um colega do STF. Agora, com Moraes sob suspeita no caso Master, Toffoli conduz o processo em sigilo e atua para blindar o ministro no momento em que o escândalo ameaça aprofundar a crise de confiança na Corte.

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