Durante a pandemia, o Brasil atravessava um dos períodos mais turbulentos de sua história recente — hospitais lotados, incertezas diárias e economia sob tensão. Ainda assim, havia um sentimento curioso no ar: a recuperação parecia possível. Setores reagiam, o consumo se mantinha e muitos brasileiros acreditavam que a retomada viria em ritmo acelerado.
Cinco anos depois, o cenário é bem diferente. Apesar de o governo anunciar alta no PIB, queda no desemprego e resultados “históricos”, a percepção nas ruas não acompanha o otimismo dos gráficos oficiais.
Nos mercados, o que se vê é outro país.
Alimentos básicos dispararam, itens essenciais pesam no orçamento e a inflação acumulada do pós-pandemia corrói o salário mês após mês. O custo de vida chegou a patamares recordes, e grande parte da população sente que o dinheiro simplesmente não rende — uma sensação que não aparece em relatórios, mas que é unânime nos caixas dos supermercados.
O contraste entre indicadores positivos e realidade cotidiana alimenta um sentimento crescente de frustração. Nas conversas informais, o desabafo é comum: “Mesmo no auge da pandemia, meu dinheiro rendia mais do que rende agora.”
O otimismo oficial esbarra em carrinhos mais vazios, renda comprimida e serviços mais caros. A economia brasileira pode, de fato, estar “melhor no papel”, mas para o trabalhador comum, 2025 está mais pesado, mais caro e distante do país retratado nos números apresentados pelo governo.
Enquanto os índices macroeconômicos seguem em alta, a vida real continua em queda — e é nela que o brasileiro paga a conta.















